Há 14 anos, Elizabeth decidiu investigar o que significava o líquido que apareceu no seu mamilo. Inicialmente, os médicos pensavam se tratar de uma infecção. Após realizar a mamografia, ela demorou oito meses para conseguir que um mastologista avaliasse o resultado do exame. A longa espera pela assistência gratuita em Canoas, cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre (RS) agravou o seu estado. Tanto que, foi necessária a vinda até a emergência de um hospital da capital gaúcha para que o tratamento iniciasse imediatamente. Na ocasião, foi preciso realizar a mastectomia com a retirada completa da mama. Após, a radioterapia e a quimio complementaram o tratamento.

Devido a urgência dos fatos, Elizabeth não conseguiu nem avaliar a dimensão do que estava acontecendo. Finalizando a cirurgia emergencial, o médico explicou tudo que aconteceria passo a passo, em um diálogo paciencioso, que auxiliou imensamente na compreensão do que vinha pela frente e na aceitação da realidade. Em seguida, ela decidiu raspar os cabelos, assumindo com protagonismo a batalha. Quis fazer isso para não sofrer com a queda gradativa, colocou em sua cabeça que ela queria viver e o cabelo não faria nenhuma diferença “o cabelo volta, minha vida não”. No mesmo mês, houve a oportunidade de atuar como voluntária no Hospital Femina e auxiliar outras mulheres que estavam vivenciando o câncer de mama. Até hoje, ela realiza esse trabalho com muita satisfação. Além disso, também é voluntária no Instituto do Câncer Infantil e no Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (IMAMA), ONG associada à FEMAMA em Porto Alegre.

Na caminhada pela vida, sua filha deu muita força para ela seguir em frente, assumiu além do papel de filha o de amiga e também um pouco de mãe. Mas o marido na época questionava sua aparência e acabou ocorrendo a separação. Ela deixou bem claro “quem quiser ficar comigo, vai ficar como eu estou me aceitando”. Elizabeth contou que não adiantaria nada fazer a vontade de uma outra pessoa, se ela mesma não concordasse e acredita que isso foi fundamental para que não desenvolvesse um estado depressivo.

Depois de mais de uma década da descoberta, no início desse ano, Elizabeth recebeu um novo diagnóstico, o câncer retornou e está nos ossos. A guerreira enfrenta uma nova batalha, dessa vez, sem perder os cabelos, pois está participando de um grupo de pesquisa com terapias diferenciadas. Mas ela reforça: “se cair não faz diferença, o que eu quero é ficar mais um tempinho aqui”. O seu recado para quem enfrenta é “decida viver pelo tempo que for”.



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