Aos 26, Márcia Cristina Fernandes descobriu ter câncer de mama HER2+, um subtipo específico da doença, já em estágio avançado (III). Na época, com convênio médico, realizou todos os tratamentos necessários para controlar e vencer a doença. E conseguiu, vivendo oito anos livre do câncer.

Em agosto de 2016, no entanto, após sentir fortes dores no pulmão, descobriu que o câncer havia voltado em forma de metástase na pleura, membrana que recobre o pulmão. A metástase corresponde ao estágio mais avançado da doença, quando as células cancerosas atingem outros órgãos diferentes do original.

Hoje em dia, Márcia, que é mãe de uma menina de três anos, é usuária do SUS, pois perdeu o plano de saúde. Ela vem enfrentando dificuldades para realizar seu tratamento. Na rede privada, o resultado do exame para verificar as características de seu novo tumor, necessário para definir o tratamento mais adequado, demoraria cerca de 15 dias. Na rede pública, o resultado desse exame, realizado em setembro do ano passado, levou 3 meses para ser divulgado – apenas em 24 de janeiro –, confirmando enfim que a proteína HER2+ estava presente no novo tumor e definindo importantes rumos para o seu tratamento.

Enquanto esperava por esse resultado, ainda sem conhecimento da expressão HER2+ em seu tumor, Márcia recebeu doses da quimioterapia utilizada como padrão no SUS. Mas como todo tipo de câncer possui particularidades e cada paciente também, esse tratamento não surtiu efeito. Em novembro, enquanto recebia a quimioterapia, Márcia descobriu nova metástase, dessa vez nos ossos.

Foi apenas em janeiro deste ano, finalmente os resultados dos exames em mãos, que ela teve a indicação de sua médica para uso do tratamento trastuzumabe, uma terapia alvo indicada para pacientes com câncer de mama HER2+, que poderia frear o avanço de sua doença. Mas, infelizmente, o medicamento não é oferecido gratuitamente pelo SUS para pacientes com câncer de mama metastático. O medicamento está disponível no SUS somente para mulheres em estágios anteriores da doença.

Se não bastasse a luta diária contra o câncer em estágio avançado, Márcia se deparou com uma nova etapa na qual sua esperança seria colocada à prova muitas vezes. Não fosse a informação qualificada de que dispunha por estar próxima e atuante junto ao Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (IMAMA) e sua garra e força de vontade para obter o tratamento que sabia ser merecedora, talvez já tivesse desistido frente aos obstáculos.

Márcia contatou a Defensoria Estadual e a Defensoria Pública da União (DPU) em busca de auxílio para obtenção do medicamento por via judicial. Seu caso seguiu via DPU e ela passou a frequentar diariamente a DPU, levando documentos que demandavam para sua situação.

A Santa Casa atrasou o caso de Márcia liberando documentos incompletos, laudos sem carimbo, sem assinaturas e sem folha timbrada que oficializassem a demanda. A DPU, por sua vez, lhe passava informações desencontradas, documentos registrados errados e uma previsão de 60 dias para o processo simplesmente começar a andar. Foi quando ela procurou o IMAMA e a FEMAMA para que as associações de pacientes pudessem ajudar de alguma forma a agilizar o processo.

No meio de tanta lentidão e burocracia do sistema público de saúde e da justiça, Márcia luta para manter-se viva. Mas ao invés de se abater, ela é obstinada e correu atrás de seus direitos. E conseguiu. Desde março, ganhou o direito na justiça de realizar o tratamento mais indicado pra ela.

Hoje, apesar da liminar judicial, Márcia ainda se depara com atrasos na entrega da medicação, por isso ela segue atenta e exigindo o seu direito e  jamais desistirá. Ela tem fé em seu tratamento, que segue ainda sem data para término. A recente decisão do Ministério da Saúde que passou a determinar o fornecimento do trastuzumabe no SUS para pacientes com câncer de mama metastático a partir de fevereiro 2018, segundo ela, deu ainda mais força e esperança: “nem eu e nem outras pacientes que precisam do medicamento vão precisar mais passar pelo o que eu passei”.



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